Arquivos Catarinenses de Medicina
Terapias regenerativas na disfunção erétil: Panorama atual
By Lucas Cerbaro Mezzomo, Lucas José Lunelli Vital, Leonardo Sales Luna and 3 others.
Abstract
Introdução e objetivo: A disfunção erétil (DE) é uma condição caracterizada pela incapacidade de manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Atualmente, a primeira linha de tratamento consiste no uso de inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5); entretanto, esses fármacos apresentam efeito predominantemente sintomático, sem atuar diretamente nos mecanismos fisiopatológicos subjacentes. Nesse contexto, terapias regenerativas — principalmente plasma rico em plaquetas (PRP), ondas de choque de baixa intensidade e células-tronco — têm sido investigadas por seu potencial de promover efeitos mais duradouros e possivelmente modificar o curso da doença. O objetivo deste estudo foi analisar o panorama atual dessas terapias na DE.Método: Trabalho retrospectivo, do tipo transversal. Foi realizada uma revisão narrativa da literatura nas bases de dados PubMed e Google Scholar, utilizando os descritores "erectile dysfunction", "sexual dysfunction", "impotence" e "regenerative therapy". Foram incluídas publicações entre 2021 e 2026, com seleção de revisões sistemáticas abordando PRP, ondas de choque, células-tronco e terapias combinadas (uso de iPDE5 associado a uma terapia regenerativa). A análise foi qualitativa, com foco em desfechos clínicos, fisiológicos e limitações metodológicas.Resultados: As revisões analisadas sugeriram melhora em parâmetros clínicos e hemodinâmicos, avaliados principalmente pelo Índice Internacional de Função Erétil (IIEF) e pelo pico de velocidade sistólica (PSV), indicando possível benefício tanto na função erétil quanto na perfusão peniana. No entanto, a qualidade da evidência é limitada por fatores recorrentes, como amostras pequenas, heterogeneidade significativa dos protocolos (dose, técnica e frequência), ausência de padronização, escassez de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade e curto período de seguimento. Além disso, estudos sobre terapias combinadas sugerem potencial efeito sinérgico, embora ainda sem comprovação absoluta.Conclusão: As terapias regenerativas apresentam resultados promissores, com indícios de benefícios clínicos e fisiológicos; contudo, permanecem experimentais e carecem de evidências mais consistentes. Atualmente, não substituem os iPDE5, mas podem futuramente atuar como adjuvantes em estratégias terapêuticas combinadas, visando tanto o alívio sintomático quanto a modificação dos mecanismos da DE. Estudos futuros mais robustos, padronizados e com seguimento prolongado são necessários para confirmar sua eficácia e segurança.



