Arquivos Catarinenses de Medicina
Aplicação da Toxina Botulínica Tipo A no Tratamento da Bexiga Hiperativa: Revisão de Bibliografia
By Edoarda Carolina Bertholdi, ISABELLY DOMINGUES MARTINS BENESSUTI, LARISSA TRINDADE MAGNAGO and 5 others.
Abstract
Introdução: A bexiga hiperativa é uma condição marcada por urgência urinária, acompanhada ou não de incontinência, que compromete a qualidade de vida. Quando os tratamentos convencionais, como antimuscarínicos e agonistas beta-3, são ineficazes ou mal tolerados, a aplicação intravesical de toxina botulínica tipo A apresenta-se como uma alternativa viável. Diante disso, este trabalho tem como objetivo revisar a literatura atual sobre o uso da toxina botulínica tipo A no tratamento da bexiga hiperativa, com foco em eficácia e segurança.Método: Trata-se de um estudo retrospectivo, de delineamento transversal, realizado por meio de uma revisão bibliográfica de artigos publicados entre os anos de 2020 e 2025. A busca foi efetuada na base de dados PubMed, utilizando-se os descritores Botulinum toxin type A, Treatment e Overactive bladder. Após a triagem foram encontrados 99 artigos, 88 foram excluídos por não atenderem os critérios estabelecidos, resultando em 11 estudos selecionados para a fundamentar a presente revisão.Resultados: A toxina botulínica tipo A demonstrou eficácia no tratamento da bexiga hiperativa idiopática e neurogênica. Em idosos e pacientes com esclerose múltipla, os efeitos adversos mais frequentes foram maior risco de infecção urinária, aumento do resíduo pós-miccional e necessidade de cateterismo. A onabotulinumtoxina A (Botox®), gerou melhora em pacientes com bexiga hiperativa refratária ao uso de anticolinérgicos, reduzindo a incontinência urinária, urgência e noctúria, bem como, foi superior aos antimuscarínicos orais na melhora dos parâmetros urodinâmicos da hiperatividade do detrusor neurogênica, tal como a abobotulinumtoxina A (Dysport®). Porém, foi observada infecção do trato urinário, disúria e retenção urinária. Por fim, incobotulinumtoxina A (Xeomin®), abobotulinumtoxina A e onabotulinumtoxina A apresentaram eficácia semelhante, sendo a última associada a menor custo. Além disso, em relação a outros tratamentos como, estimulação percutânea do nervo tibial e sacral, anticolinérgicos e mirabegrona, a onabotulinumtoxina A intradetrusora foi o tratamento com maior custo-efetividade.Conclusão: A toxina botulínica tipo A constitui uma alternativa eficaz e segura para o tratamento da bexiga hiperativa idiopática e neurogênica em pacientes refratários às terapias convencionais. A onabotulinumtoxina A destacou-se pelos melhores resultados clínicos e pela maior custo-efetividade, embora o tratamento esteja associado a eventos adversos, como infecção do trato urinário, retenção urinária e aumento do resíduo pós-miccional, que devem ser considerados na seleção dos pacientes.



