Zenodo
Rastreamento do câncer do colo do útero com teste de DNA HPV como método primário evidências diretrizes e implicações na saúde da mulher
By Bárbara Henschel Alves and Lilian Dias dos Santos Alves.
Abstract
Introdução O câncer do colo do útero permanece como importante problema de saúde pública, apesar de ser amplamente prevenível pelo rastreamento e pelo tratamento oportuno das lesões precursoras. A infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano (HPV) é o principal fator relacionado ao desenvolvimento de neoplasia intraepitelial cervical e câncer invasivo. Durante décadas, o exame de Papanicolau foi o método central de rastreamento e contribuiu para reduzir a incidência e a mortalidade em programas organizados. Entretanto, sua efetividade depende da qualidade da coleta, do preparo e da interpretação da lâmina, além da repetição frequente do exame. Essas limitações tornam-se mais relevantes em cenários de cobertura irregular e dificuldade de seguimento. O teste de DNA-HPV de alto risco detecta a presença de tipos virais oncogênicos antes do aparecimento de alterações citológicas estabelecidas. Por apresentar maior sensibilidade para lesões de alto grau, permite reconhecer mulheres com maior risco, ampliar com segurança o intervalo após um resultado negativo e organizar o cuidado por estratificação de risco. Diretrizes internacionais recomendam o teste molecular como método primário em faixas etárias definidas [1], e a Diretriz Brasileira de 2025 estabeleceu bases para o rastreamento organizado com testes de DNA-HPV oncogênico no Sistema Único de Saúde [2]. A transição, contudo, exige protocolos capazes de manejar a maior positividade e de evitar encaminhamentos desnecessários para colposcopia. Objetivo Analisar as evidências científicas e as diretrizes clínicas sobre o uso do teste de DNA-HPV como método primário de rastreamento do câncer do colo do útero, comparando seu desempenho com a citologia convencional e discutindo intervalos de rastreamento, manejo de resultados positivos , autocoleta e implicações para a organização dos serviços de saúde. Metodologia Foi realizada revisão narrativa integrativa, bibliográfica e documental, nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS/BVS, com publicações de 2015 a 2025 em português, inglês e espanhol. A estratégia de busca combinou descritores e palavras-chave sobre câncer do colo do útero, HPV, teste de DNA-HPV, rastreamento, Papanicolau , citologia , colposcopia , autocoleta , HPV 16/18, sensibilidade e especificidade. Foram incluídos estudos clínicos, observacionais, de acurácia e implementação, ensaios, revisões sistemáticas e recomendações que abordassem o DNA-HPV primário, a detecção de CIN2+ ou HSIL, os intervalos, a triagem após resultado positivo e os efeitos organizacionais. Foram excluídos registros duplicados, estudos sem relação direta com a pergunta, trabalhos exclusivamente laboratoriais, comparações de marcas comerciais sem aplicação clínica, protocolos sem resultados e publicações sem dados suficientes. A busca identificou 776 publicações: 694 na PubMed/MEDLINE, 31 na SciELO e 51 na LILACS/BVS. Após a retirada de 28 duplicatas, 748 registros foram avaliados por título e resumo; 42 seguiram para leitura integral e 16 compuseram a síntese final. Os dados foram organizados nos eixos desempenho diagnóstico, intervalos de rastreamento, manejo do HPV positivo , autocoleta , encaminhamento para colposcopia e implementação. Resultados e discussão Os estudos mostraram maior sensibilidade do DNA-HPV que da citologia para detectar lesões precursoras de alto grau, especialmente CIN2+, CIN3+ e HSIL. No ensaio HPV FOCAL, o rastreamento primário por HPV identificou mais lesões d



