Zenodo
Alerta vermelho no século xxi: O avanço descontrolado da mortalidade por doenças hipertensivas e o deslocamento regional da carga isquêmica no brasil
By Daniel Augusto da Silva, Lincom Gustavo Guollo Pezotti, Amanda Balarim Chini and 5 others.
Abstract
Introdução Doenças cardiovasculares são a principal causa de óbitos no Brasil , respondendo por cerca de 30% da mortalidade anual no país . Hoje , apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento nas últimas décadas , as taxas de mortalidade permanecem elevadas . Esse quadro faz parte de uma transição epidemiológica complexa . A população brasileira envelhece e a exposição a fatores de risco metabólicos e comportamentais segue alta. Por isso observam -se mudanças na incidência , na prevalência , na recuperação e na mortalidade que variam entre regiões e grupos populacionais . O perfil de saúde da população sofreu alterações substanciais ao longo das últimas décadas . Estudos apontaram redução da mortalidade cardiovascular entre 1980 e 2010. Mas essa queda não ocorreu de modo homogêneo entre as unidades federativas , com algumas áreas apresentando declínios mais marcantes e outras estagnação ou piora.4,5 Pesquisas também associaram a ocorrência de doenças cerebrovasculares a indicadores de vulnerabilidade social, indicando disparidades regionais importantes . Objetivo A nalisar a tendência temporal da mortalidade geral e por capítulos da CID-10 no Brasil no período de 2005 a 2024, uma oportunidade para caracterizar mudanças epidemiológicas relevantes no Brasil , identificar grupos e regiões com risco aumentado de desfechos fatais e fornecer evidências que apoiem decisões estratégicas no âmbito da saúde pública . Métodos Trata -se de um estudo epidemiológico de desenho ecológico , fundamentado em análise de série temporal e modelagem preditiva de base populacional . A coleta de dados ocorreu em julho de 2026. Os dados primários referentes ao volume absoluto de óbitos foram extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), via Tabnet , abrangendo o período de 2001 a 2024. As estimativas populacionais e os dados dos Censos de 2010 e 2022 foram obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . Foram incluídos todos os óbitos por doenças do aparelho circulatório (CID-10 I00-I99), estratificados em cinco grupos : isquêmicas (I20-I25), cerebrovasculares (I60-I69), hipertensivas (I10-I15), insuficiência cardíaca (I50) e outras DCV ( demais códigos do capítulo ) . Para a tendência temporal, aplicou -se regressão linear generalizada pelo procedimento de Prais-Winsten sobre o logaritmo na base 10 das taxas , com o teste de Durbin-Watson para verificar autocorrelação serial. A Annual Percent Change (APC) foi calculada com a fórmula APC = (−1 + 10^β₁) × 100, onde β₁ é o coeficiente de regressão . O coeficiente de determinação (R²) mediu a proporção da variância explicada . As tendências foram classificadas como crescente (APC > 0 e p < 0,05), decrescente (APC < 0 e p < 0,05) ou estacionária (p ≥ 0,05). Adotou -se IC 95%, calculado pelo erro padrão de β₁ com distribuição t de Student (22 gl ), e nível de significância de p < 0,05 . Por empregar exclusivamente dados secundários de domínio público , agregados e sem possibilidade de identificação dos indivíduos , o estudo foi dispensado de apreciação por comitê de ética em pesquisa , em conformidade com a normativa do Conselho Nacional de Saúde . Resultados Entre 2001 e 2024, a taxa agregada de mortalidade pelos cinco grupos de doenças cardiovasculares analisados aumentou de 140,7 para 169,8 óbitos por 100 mil habitantes no Brasil , correspondendo a crescimento acumulado de 20,7% e tendência crescente de 0,65% ao ano . As doenças hipertensivas apresentaram o maior crescimen



