Revista Multidisciplinar em Saúde
Perfil epidemiológico da mortalidade por doenças crônicas potencialmente elegíveis para cuidados paliativos no brasil, 2015–2024
By Juliane Francine Vaz Abussamra, LILIAN YUMI DE LUCCA MYAZI and Rosângela Villa Marin Mio.
Abstract
Introdução: O envelhecimento populacional e a crescente prevalência de doenças crônicas não transmissíveis ampliam a necessidade de cuidados paliativos. Neoplasias, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e doença de Alzheimer apresentam evolução progressiva, perda funcional e carga de sintomas, configurando condições elegíveis à abordagem paliativa. A oferta de cuidados paliativos no Brasil permanece desigual, exigindo dados epidemiológicos para orientar o planejamento. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico da mortalidade por neoplasias, insuficiência cardíaca, DPOC e doença de Alzheimer no Brasil, entre 2015 e 2024, segundo características demográficas, temporais e geográficas e suas implicações para os cuidados paliativos. Métodos: Estudo epidemiológico, observacional, ecológico e de série temporal, realizado com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DataSUS), obtidos pela plataforma TabNet. Analisaram-se os óbitos registrados de 2015 a 2024, segundo sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, estado civil, região geográfica e local de ocorrência. Resultados: Foram registrados 3.273.050 óbitos por condições potencialmente elegíveis para cuidados paliativos. As neoplasias corresponderam a 71,5%, seguidas por DPOC (12,3%), insuficiência cardíaca (8,9%) e doença de Alzheimer (7,3%). Houve aumento de óbitos por neoplasias e Alzheimer, concentração em idades avançadas, baixa escolaridade e raça/cor branca. Sudeste e Nordeste concentraram maior número de óbitos, com predomínio hospitalar. Conclusão: A mortalidade por condições potencialmente elegíveis para cuidados paliativos evidencia demanda assistencial no Brasil. Diferenças demográficas e regionais reforçam a necessidade de planejamento baseado em evidências. O monitoramento epidemiológico contribui para dimensionar necessidades, direcionar recursos e fortalecer a organização equitativa dos cuidados paliativos para doenças oncológicas e não oncológicas



