Arquivos Catarinenses de Medicina
Tendência temporal das internações relacionadas ao HIV em menores de 15 anos no Brasil, 2015–2025
By Lucas Duarte de Oliveira, Nayara Tamires Estanislau and Franciele Cascaes da Silva.
Abstract
Introdução e objetivos: A infecção pelo HIV compromete o sistema imunológico pela redução dos linfócitos T CD4+, aumentando a suscetibilidade a complicações clínicas1. Em menores de 15 anos, a transmissão vertical é a principal forma de infecção, e as internações ainda refletem fragilidades na linha de cuidado materno-infantil, apesar dos avanços na prevenção e tratamento2. Embora o Brasil tenha recebido, em 2025, certificação da OPAS/OMS pela eliminação da transmissão vertical do HIV+2,3, a vigilância permanece necessária, pois, em 2024, cerca de 1,4 milhão de crianças viviam com HIV no mundo4. Objetivou-se analisar a tendência temporal das internações relacionadas ao HIV em menores de 15 anos no Brasil, entre 2015 e 2025.Método: Estudo ecológico de séries temporais com dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponibilizados pelo DATASUS. Analisaram-se as internações por doença causada pelo HIV em menores de 15 anos no Brasil e regiões, utilizando taxas padronizadas por 100 mil habitantes, com base nas estimativas populacionais do IBGE. A tendência temporal foi avaliada por regressão Joinpoint, estimando-se APC, AAPC, IC95% e p<0,05.Resultados: As internações por HIV em menores de 15 anos apresentaram redução significativa no Brasil entre 2015 e 2025 (AAPC=-9,88; IC95%: -14,23 a -7,56; p<0,001). Entre 2015–2017 houve estabilidade (APC=-1,80; IC95%: -14,35 a 14,03; p=0,539), seguida de redução não significativa entre 2017–2025 (APC=-11,80; IC95%: -30,37 a 1,04; p=0,060). No Norte, houve estabilidade (AAPC=-2,92; IC95%: -10,58 a 2,21; p=0,184), aumento não significativo entre 2015–2017 (APC=23,14; IC95%: -7,52 a 68,09; p=0,185) e redução significativa entre 2017–2025 (APC=-8,52; IC95%: -33,47 a -1,68; p=0,042). No Nordeste, observou-se redução significativa (AAPC=-11,15; IC95%: -18,49 a -7,63; p<0,001), estabilidade entre 2015–2017 (APC=-3,59; IC95%: -19,83 a 23,38; p=0,444) e redução não significativa entre 2017–2023 (APC=-12,95; IC95%: -44,03 a 7,69; p=0,134). No Sudeste, houve redução significativa (AAPC=-17,48; IC95%: -28,09 a -13,04; p<0,001), estabilidade entre 2015–2018 (APC=-5,15; IC95%: -22,37 a 35,93; p=0,500) e queda significativa entre 2018–2025 (APC=-22,26; IC95%: -60,60 a -13,13; p=0,014). Sul (AAPC=3,79; IC95%: -2,50 a 10,47; p=0,249) e Centro-Oeste (AAPC=-2,69; IC95%: -9,61 a 4,44; p=0,416) mantiveram estabilidade, com aumento entre 2021–2025 (APC=17,20; IC95%: -7,51 a 64,32; p=0,082) e redução entre 2022–2025 (APC=-10,11; IC95%: -39,78 a 12,63; p=0,410), respectivamente.Conclusão: As internações relacionadas ao HIV em menores de 15 anos diminuíram no Brasil entre 2015 e 2025, com maior redução nas regiões Sudeste e Nordeste. Norte, Sul e Centro-Oeste apresentaram tendências menos expressivas, evidenciando desigualdades regionais. Os achados reforçam a necessidade de manter a vigilância epidemiológica e fortalecer o diagnóstico precoce, o acompanhamento contínuo e a linha de cuidado materno-infantil.



