Arquivos Catarinenses de Medicina
Variações anatômicas da artéria mesentérica superior e as síndromes compressivas abdominais
By Larissa Machado Faria, Kamilly Korchak Duarte, Maria Vitoria Becker Rodrigues and 4 others.
Abstract
Introdução: As síndromes compressivas vasculares abdominais constituem um grupo de condições incomuns, decorrentes da compressão de vasos ou vísceras por estruturas anatômicas adjacentes, frequentemente subdiagnosticadas devido a manifestações clínicas inespecíficas¹. Nesse contexto, a artéria mesentérica superior (AMS) — que mantém estreita relação anatômica com a aorta abdominal, a terceira porção do duodeno e a veia renal esquerda — desempenha papel central na fisiopatologia de duas condições: a Síndrome da Artéria Mesentérica Superior (Síndrome de Wilkie)² e a Síndrome de Nutcracker³. Reduções no ângulo (normal: 38°–56°) e na distância aortomesentérica (normal: 10–34 mm), bem como variações anatômicas de origem e ramificação da própria AMS⁴, favorecem o desenvolvimento dessas síndromes, que podem coexistir no mesmo paciente⁵. Assim, o conhecimento dessas variações anatômicas é relevante para a compreensão de sua fisiopatologia e diagnóstico.Objetivo: Descrever as variações anatômicas da artéria mesentérica superior e sua relação com o desenvolvimento de síndromes compressivas abdominais.Métodos: Revisão integrativa da literatura, descritiva e qualitativa, realizada nas bases PubMed e SciELO, utilizando os descritores "Superior Mesenteric Artery", "anatomical variation" e “compression syndrome”. Foram incluídos artigos completos, em português e inglês, publicados nos últimos cinco anos e excluídas revisões narrativas e outros estudos não relacionados ao tema. Após aplicação destes critérios de elegibilidade, cinco estudos foram selecionados para síntese e análise qualitativa.Resultados: Os achados demonstraram que a redução do ângulo e da distância aortomesentérica constituem o principal mecanismo fisiopatológico das síndromes compressivas associadas à AMS, especialmente a Síndrome de Wilkie e a Síndrome de Nutcracker. Os estudos identificaram como critérios diagnósticos mais frequentes ângulo aortomesentérico inferior a 22° e distância inferior a 8 mm para a Síndrome de Wilkie, enquanto uma metanálise recente³ evidenciou elevada precisão diagnóstica do ângulo da AMS para a Síndrome de Nutcracker, com melhor ponto de corte em torno de 36,8°. A coexistência entre ambas as síndromes foi descrita em diferentes estudos, reforçando o mecanismo anatômico comum e a necessidade de investigação concomitante. Além disso, variações na origem e ramificação da AMS influenciam no desenvolvimento dessas síndromes e no planejamento cirúrgico, sendo a angiotomografia computadorizada o principal método diagnóstico.Conclusão: As evidências indicam que as variações anatômicas da AMS, especialmente a redução do ângulo e da distância aortomesentérica, estão diretamente relacionadas ao desenvolvimento das Síndromes de Wilkie e de Nutcracker. Diante disso, o conhecimento dessas alterações é de alta relevância, pois favorece o diagnóstico precoce, a investigação adequada e o planejamento terapêutico.



