Arquivos Catarinenses de Medicina
Influência dos métodos diagnósticos no tratamento e prognóstico de pneumonia organizante criptogênica: Uma revisão integrativa
By Carla Daniele Ribeiro da Rosa, Amanda Kaori Narimatsu, Luana Gabriely de Almeida Campos and 10 others.
Abstract
Introdução: A Pneumonia Organizante Criptogênica (COP) é uma doença pulmonar intersticial idiopática caracterizada histopatologicamente por pólipos de tecido de granulação intra-alveolares, denominados corpúsculos de Masson, que se estendem aos bronquíolos distais. Clinicamente, mimetiza pneumonia bacteriana adquirida na comunidade devido ao quadro de tosse seca, dispneia, febre e consolidações radiológicas, gerando frequentes falhas na antibioticoterapia inicial e atraso diagnóstico.Objetivos: Analisar o papel da Tomografia Computadorizada de Alta Resolução (TCAR) e da Biópsia Pulmonar Transbrônquica na otimização do tempo para o diagnóstico definitivo da COP e na decisão do início precoce da corticoterapia, comparando sua acurácia frente à radiografia de tórax.Metodologia: O estudo se trata de uma revisão integrativa, em que foi aplicado o método PICO para definir a pergunta chave da pesquisa. As bases de dados utilizadas foram o PubMed e o ScienceDirect, com objetivo de localizar estudos publicados entre 2020 e 2025, por meio dos termos de busca “Cryptogenic Organizing Pneumonia” e “diagnosis” por meio dos operadores Booleano “AND”, que atendiam aos critérios de inclusão: pacientes adultos e publicações em português ou inglês.Resultados: Foram encontrados 395 artigos, sendo selecionados 5 com base no título e resumo que atendiam os critérios de seleção para análise e síntese dos dados. Sendo assim, foi observado que a COP impõe um desafio diagnóstico, com atraso médio de 6 a 10 semanas devido à sobreposição clínica com outros quadros infecciosos. Logo, enquanto a radiografia de tórax é inespecífica, a TCAR desempenha papel central ao identificar padrões altamente sugestivos, como consolidações bilaterais periféricas e subpleurais migratórias, opacidades em vidro fosco e o sinal do halo invertido, muito associado à COP. Dessa forma, a identificação desses padrões típicos na TCAR, associada a uma apresentação clínica compatível e à exclusão de causas secundárias, pode auxiliar no início empírico da corticoterapia, reservando a biópsia transbrônquica para apresentações atípicas ou refratárias. O diagnóstico precoce está diretamente associado a uma rápida resposta clínica à prednisona, embora a presença de bronquiectasias de tração e distorção arquitetural na TCAR inicial esteja relacionado a um maior índice de recidivas após a retirada do corticoide.Conclusão: Portanto, ao identificar padrões tomográficos específicos como o sinal do halo invertido e consolidações peribroncovasculares, a TCAR se destaca como exame central no manejo da COP, permitindo o diagnóstico precoce, reduzindo a necessidade de biópsias invasivas, além de viabilizar o uso de corticoterapia para otimizar o desfecho clínico.



