Arquivos Catarinenses de Medicina
O Infarto Agudo do Miocárdio em Adultos Jovens no Brasil: Análise Epidemiológica das internações e óbitos entre 2016 e 2025
By Sophia Rosa Padilha.
Abstract
Introdução e objetivo: O infarto agudo do miocárdio (IAM) caracteriza-se pela interrupção no fluxo sanguíneo coronariano, culminando na isquemia e necrose do tecido miocárdico. Historicamente prevalente na população idosa, na qual figura como uma das principais causas de morbidade e mortalidade, o IAM tem apresentado uma importante transição epidemiológica. Observa-se um aumento expressivo nas taxas de internação hospitalar e óbito por essa condição em adultos jovens com idade de 20 a 39 anos. Esse fenômeno é impulsionado pela ascensão de fatores de risco comportamentais e metabólicos na juventude, tais como o sedentarismo, a obesidade, o estresse crônico e o uso de substâncias ilícitas e esteroides anabolizantes. O objetivo deste estudo é analisar o perfil das internações e óbitos por IAM em adultos de 20 a 39 anos no Brasil, no período de 2016 a 2025.Método: Estudo ecológico retrospectivo descritivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), obtidos por meio do TabNet/DATASUS. Foram analisadas as internações e os óbitos por IAM em indivíduos de 20 a 39 anos no Brasil entre 2016 e 2025, considerando as variáveis sexo, faixa etária e ano de ocorrência.Resultados: Foram registradas 47.571 internações e 1.910 óbitos por IAM em adultos jovens no período analisado. Observou-se aumento de 75,5% nas internações anuais, passando de 3.528 casos em 2016 para 6.192 em 2025. Os óbitos permaneceram relativamente estáveis, variando entre 181 e 225 casos anuais. A faixa etária de 30 a 39 anos concentrou 80,6% das internações (38.365 casos). O sexo masculino representou 73% das hospitalizações (34.724 casos) e 64,6% dos óbitos (1.234 casos).Conclusão: Os resultados evidenciam um crescimento expressivo das internações por infarto agudo do miocárdio em adultos jovens no Brasil entre 2016 e 2025, com predominância do sexo masculino e da faixa etária de 30 a 39 anos. Esses achados refletem a crescente exposição dessa população a fatores de risco cardiovasculares modificáveis, tradicionalmente mais associados a faixas etárias avançadas. Além disso, a ocorrência do IAM em indivíduos jovens assume especial relevância clínica, uma vez que a menor presença de circulação colateral coronariana pode favorecer apresentações mais graves e maior comprometimento miocárdico.



