Arquivos Catarinenses de Medicina
Síndrome do roubo coronário-subclávio como causa de angina recorrente após revascularização miocárdica: Relato de caso
By Victor Hugo Simeão Soares do Nascimento, Sophia Kohler Chini, Guilherme Andrey Uber and 6 others.
Abstract
Introdução/objetivos: A síndrome do roubo coronário-subclávio é causa rara e subdiagnosticada de isquemia em pacientes submetidos à revascularização miocárdica com artéria mamária interna esquerda para descendente anterior. A estenose proximal da subclávia esquerda pode reduzir o fluxo do enxerto e desviar sangue da circulação coronariana para o membro superior ipsilateral, causando angina recorrente mesmo com enxerto pérvio. O objetivo é relatar caso de angina em crescendo após revascularização miocárdica, associado à estenose de subclávia esquerda e tratado por via endovascular.Método: Relato de caso observacional, descritivo e retrospectivo, baseado em dados clínicos, exames complementares, procedimento realizado e evolução hospitalar.Resultado/relato de caso: Paciente masculino, 51, com doença arterial coronariana, hipertensão, dislipidemia, ex-tabagismo e revascularização miocárdica em 12/2023, com enxerto de artéria mamária interna esquerda para descendente anterior. Internou em 13/03/2025 por angina em crescendo, classe III pela Canadian Cardiovascular Society. Cineangiocoronariografia prévia demonstrou enxerto mamário pérvio, lesão de 60% após a anastomose, doença coronariana residual em ramos de fino calibre, obstrução de 60-70% no terço proximal da subclávia esquerda e lesão de 70% na origem da vertebral esquerda. Eletrocardiograma de admissão não mostrou sinais isquêmicos agudos e a troponina ultrassensível foi negativa. A angiotomografia evidenciou ateromatose difusa, com duas estenoses sequenciais de cerca de 60% no terço proximal da subclávia esquerda, estenose crítica maior que 90% na origem da vertebral esquerda e estenose de 40% na origem da carótida interna direita. O ecocardiograma demonstrou fração de ejeção preservada e disfunção diastólica discreta. Diante da angina recorrente, do enxerto mamário pérvio e da suspeita de hipofluxo relacionado à lesão subclávia, indicou-se abordagem endovascular. Em 19/03/2025, realizou-se aortografia torácica, arteriografia de membro superior esquerdo e angioplastia da subclávia esquerda por punção retrógrada da artéria femoral comum direita. A angiografia confirmou estenose acentuada na origem da subclávia esquerda, com artéria torácica interna esquerda pérvia. Após transposição da lesão, implantou-se stent balão 9x38 mm, com controle angiográfico satisfatório. O paciente evoluiu assintomático, sem dor torácica, recebendo alta em dupla antiagregação plaquetária e seguimento ambulatorial.Conclusão: A síndrome do roubo coronário-subclávio deve ser considerada em pacientes com angina recorrente após revascularização miocárdica com artéria mamária interna esquerda. A avaliação da artéria subclávia é fundamental, pois lesões proximais podem comprometer a perfusão do enxerto mesmo quando este permanece pérvio, retardando o diagnóstico quando não reconhecidas. Assim, a angioplastia com implante de stent restabeleceu o fluxo arterial, promoveu resolução imediata dos sintomas e excelente resultado angiográfico, reforçando o tratamento endovascular como uma estratégia segura, eficaz e minimamente invasiva.



