Arquivos Catarinenses de Medicina
Dissecção Aórtica Extensa Tipo A de Stanford em Mulher na Perimenopausa: Abordagem Cirúrgico-Endovascular em Etapas
By Karen Conte Kreusch, Gabriel Pettenon Gubert, João Pedro Kern Alves and 7 others.
Abstract
Introdução: A Síndrome Aórtica Aguda (SAA) feminina possui alta mortalidade, ligada à fragilidade vascular por menopausa precoce e perda estrogênica. Isso predispõe a dissecções de Stanford A com acometimento supra-aórtico. O objetivo é descrever o manejo de uma paciente, analisando o impacto da biologia vascular feminina – em especial da menopausa precoce – e os desafios técnicos na gestão de lesões vasculares múltiplas.Método: Estudo de caso descritivo e retrospectivo de paciente com SAA extensa e menopausa precoce aos 35 anos. Dados coletados via prontuário e exames de imagem – Angiotomografia Computadorizada (Angio-TC) e Ecocardiogramas – entre setembro/2025 e março/2026. A pesquisa seguiu rigorosas diretrizes éticas de anonimato e confidencialidade.Descrição do caso: Mulher, 49 anos, com hipertensão arterial sistêmica não controlada e histórico de menopausa precoce desde os 35 anos, foi admitida em unidade hospitalar após episódio súbito de síncope. O exame de Angio-TC revelou dissecção aguda de aorta tipo A (Stanford), estendendo-se do segmento ascendente ao abdominal, com dilatações significativas na raiz da aorta (5,6 cm) e no bulbo aórtico. Diante da gravidade, foi submetida a correção cirúrgica emergencial, seguida de 30 dias de internação para manejo de isquemia miocárdica difusa transoperatória e redução da fração de ejeção (FEVE) para 35%. Quarenta dias após a alta, retornou ao pronto-socorro com dor abdominal e dispneia progressiva, sendo diagnosticado derrame pleural volumoso à direita e evolução para descompensação de insuficiência cardíaca e choque cardiogênico (estágio B/C). Seis meses após o quadro inicial, nova Angio-TC evidenciou a persistência da dissecção acometendo o tronco braquiocefálico, artéria subclávia esquerda e artérias ilíacas, com sinais de hipoperfusão no rim esquerdo. Após nova agudização envolvendo a aorta torácica transversa e descendente, optou-se por um implante de endoprótese na luz verdadeira, do arco aórtico à aorta torácica. A intervenção resultou em melhora clínica rápida e sucesso no desmame de drogas vasoativas. Exames de controle confirmaram a endoprótese pérvia e a correção do fluxo na artéria carótida comum esquerda, embora o flap de dissecção persistisse em segmentos distais. A paciente recebeu alta em estabilidade clínica e assintomática após concluir protocolo de reabilitação cardiovascular.Conclusão: Este caso ilustra a intersecção entre a biologia feminina e a complexidade técnica do tratamento. A deficiência estrogênica prematura provavelmente atuou como fator crítico na fragilização da túnica média, favorecendo a dissecção multi-territorial. Embora a estratégia escalonada tenha controlado o risco vital, a persistência de malperfusão exige vigilância contínua. O relato reforça a necessidade de incluir o histórico ginecológico e hormonal na estratificação de risco para prevenir catástrofes vasculares em mulheres no climatério.



