Arquivos Catarinenses de Medicina
Abdome agudo obstrutivo por íleo biliar em adulto: Relato de caso
By Charles Albani Dadam Junior, Gianluca Homero Rebelo De Souza, André Carminati Lima and 2 others.
Abstract
Introdução: Abdome agudo obstrutivo é uma emergência cirúrgica frequente, e pode ser mecânico ou funcional. Entre as causas menos frequentes está o íleo biliar, complicação rara da colecistite, secundária a formação de uma fístula bilio-entérica que permite migração de um cálculo biliar para a luz luminal, resultando na obstrução mecânica. Predomina em mulheres idosas com histórico de colelitíase, tornando essencial o reconhecimento de sintomas em busca de um diagnóstico precoce e bom desfecho clínico ao paciente.Objetivo: O relato de caso aborda rara complicação de colecistite, o íleo biliar. Desse modo, procura-se enfatizar a apresentação clínica, os achados de exames de imagem e o tratamento realizados na paciente.Metodologia: Relato de caso baseado em dados obtidos do prontuário hospitalar da paciente. Além disso, realizou-se pesquisa bibliográfica, visando enriquecer o embasamento teórico.Descrição do caso: Mulher de 60 anos, portadora de diabetes mellitus, sem demais comorbidades ou antecedentes cirúrgicos, buscou o hospital com quadro de dor abdominal em cólica há dois dias, inicialmente em hipocôndrio direito, evoluindo para irradiação em mesogástrio progredindo para dor difusa. Relatou constipação intestinal, náuseas, êmese e recusa alimentar, sem sintomas geniturinários. Ao exame físico, paciente mantinha bom estado geral, com abdome flácido, com ruídos hidroaéreos abolidos, distensão discreta e dolorosa a palpação superficial e profunda predominante em hipocôndrio direito, sem sinais de peritonite. A tomografia computadorizada de abdome mostrou moderada distensão de alças do intestino delgado com níveis hidroaéreos, lesão parcialmente calcificada no interior da alça de delgado. Ainda, a vesícula biliar apresentou cálculos em seu interior. Inferiu-se, então, a presença de provável quadro de suboclusão intestinal, cursando com translocação bacteriana, além de sinais de colecistopatia calculosa. Iniciou-se antibioticoterapia endovenosa, hidratação vigorosa e sonda nasogástrica, indicando provável quadro de íleo biliar e laparotomia exploratória. Na intervenção cirúrgica, encontrou-se cálculo biliar impactado, sendo então realizada enterotomia e retirada. Posterior à duodenorrafia, fez-se exploração da vesícula biliar, que revelou um processo aderencial extenso, mostrando fístula biliar com o duodeno. Realizado, então, colecistectomia, fixando dreno Kher vigilante e sonda nasogástrica. Conclui-se o procedimento sem intercorrências. No pós-operatório, a paciente permaneceu em dieta zero, com analgesia, tromboprofilaxia, monitorização do dreno, uso de cinta abdominal e deambulação precoce. Solicitou-se ultrassonografia abdominal para avaliar via biliar ao momento da alta.Conclusão: Embora raro, o íleo biliar deve ser considerado em pacientes com perfil epidemiológico compatível e sintomas gastrointestinais inespecíficos. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são essenciais para minimizar intercorrências e garantir bom desfecho clínico.



