Arquivos Catarinenses de Medicina
Tendência temporal da mortalidade por câncer de pâncreas em Santa Catarina segundo macrorregião de saúde, sexo e faixa etária, 2014–2024
By Ana Bernardi Heyse and Gabriel Finkler de Souza.
Abstract
Introdução e objetivo: O câncer de pâncreas destaca-se entre as neoplasias malignas de maior letalidade, apresentando sobrevida em 5 anos inferior a 10%, atribuída ao comportamento silencioso e ao diagnóstico tardio. Globalmente, é responsável por 5% das mortes por câncer, com tendência de elevação na mortalidade. Diante do seu impacto nos sistemas de saúde e da escassez de métodos eficazes de rastreamento populacional, este estudo objetivou analisar a tendência temporal da mortalidade por neoplasia maligna de pâncreas em Santa Catarina (SC), segundo macrorregião de saúde, sexo e faixa etária, entre 2014 e 2024.Método: Trabalho retrospectivo, com delineamento transversal de série temporal ecológica, utilizando dados secundários de óbitos por residência (CID-10 C25) do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS). Foram descritas frequências absolutas e relativas e calculadas taxas de mortalidade, sendo as taxas geral e por sexo padronizadas por idade pelo método direto, usando como padrão a distribuição etária catarinense de 2014. As tendências foram analisadas por regressão de Prais-Winsten, com estimativa da variação percentual anual (Annual Percentage Change — APC) e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). As análises foram realizadas no software R versão 4.5.3.Resultados: A taxa de mortalidade geral aumentou de 5,25 para 8,32 óbitos/100.000 habitantes entre 2014 e 2024 (58,4%), com tendência crescente significativa (APC = 1,61; IC95%: 0,65–2,57; p = 0,008). Todas as macrorregiões apresentaram crescimento significativo, sendo a maior tendência observada na Serra Catarinense (APC = 5,65; IC95%: 3,24–8,12; p = 0,001) e a menor no Planalto Norte e Nordeste (APC = 2,49; IC95%: 0,95–4,52; p = 0,011). Na estratificação etária, observou-se incremento significativo nas faixas de 50 a 59, 70 a 79 e, principalmente, 40 a 49 anos (APC = 3,92; IC95%: 2,36–5,51; p < 0,001). A população acima de 40 anos concentrou 98,57% das mortes. Tanto a população feminina (APC = 2,37; IC95%: 1,47–3,28; p < 0,001) quanto a masculina (APC = 3,15; IC95%: 2,10–4,21; p < 0,001) apresentaram aumento significativo da mortalidade, com 2.861 óbitos em homens e 2.660 em mulheres no período.Conclusão: Evidencia-se aumento sustentado da mortalidade por câncer de pâncreas em SC no período analisado, com concentração na população acima de 40 anos e crescimento em todas as macrorregiões e em ambos os sexos. Os achados reforçam a importância do monitoramento contínuo das tendências epidemiológicas e da investigação de fatores associados a esse aumento, com ênfase em estratégias de controle e prevenção de riscos metabólicos e comportamentais na população. Destaca-se, ainda, a necessidade de fortalecimento da rede de atenção oncológica e de capacitação profissional para a identificação precoce de sinais clínicos sugestivos da doença.



