Arquivos Catarinenses de Medicina
Perfil clínico e angiográfico de pacientes com aneurisma cerebral roto tratados por via endovascular
By Nicole Christine Lamin, Priscila Dell Antonio, Gabriel LuizNicochelli Berri and 22 others.
Abstract
O aneurisma cerebral roto é uma condição de elevada gravidade e importante impacto funcional entre os sobreviventes. O tratamento precoce é fundamental, e a embolização endovascular consolidou-se como uma importante estratégia terapêutica por permitir a resolução do aneurisma de forma minimamente invasiva. Entretanto, a caracterização epidemiológica e clínica dos pacientes submetidos a esse tratamento em centros de referência permanece relevante para a compreensão de sua aplicabilidade e de seus resultados na prática assistencial. Assim, o objetivo deste estudo foi descrever o perfil clínico, angiográfico e terapêutico dos pacientes com aneurisma cerebral roto submetidos a tratamento endovascular em um centro de referência, bem como caracterizar as técnicas empregadas e os principais achados relacionados à apresentação e evolução clínica. Trata-se de um estudo retrospectivo, observacional e descritivo, baseado na análise do banco de dados de um centro de referência em Neurocirurgia. Foram incluídos pacientes submetidos ao tratamento endovascular de aneurismas intracranianos no período de 2005 a 2025. Foram analisadas as variáveis sexo, comorbidades, classificação conforme Fisher e Escala Hunt-Hess, lateralidade, morfologia e tamanho dos aneurismas, localização, técnica endovascular empregada e manifestações neurológicas na apresentação clínica. Foram atendidos 798 pacientes com aneurisma cerebral roto, com predomínio do sexo feminino em 70,80% dos casos. As comorbidades mais frequentes foram hipertensão arterial (47,12%), tabagismo (32,58%), dislipidemia (11,78%) e diabetes mellitus (5,14%). A ruptura dos aneurismas ocorreu predominantemente no lado esquerdo (52,76%). A maioria dos aneurismas foi do tipo sacular (95,36%) e de tamanho pequeno (79,57%), enquanto aneurismas grandes e gigantes corresponderam a 15,66% e 4,89%, respectivamente. Quanto à classificação de Fisher, houve predomínio do grau IV, presente em 401 pacientes (50,25%), seguido pelo grau III em 213 (26,69%). Em relação à Escala de Hunt-Hess na admissão, observou-se predomínio do grau II, presente em 48,87%, seguido pelo grau III, identificado em 209 pacientes (26,19%). A artéria comunicante anterior foi o local mais frequentemente acometido (27,57%). O tratamento foi realizado predominantemente por embolização somente com coils (89,97%), seguida da associação entre stent e coils (4,64%), uso isolado de stent (2,13%), utilização de balão (1,25%) e diversor de fluxo isoladamente (0,75%). Entre as sequelas neurológicas destacam-se paresia (5,64%), afasia (2,01%), plegia (1,63%) e lesão de pares cranianos (1,13%). Conclui-se que os aneurismas cerebrais rotos tratados por via endovascular ocorreram predominantemente em mulheres e apresentaram morfologia sacular, pequeno tamanho e localização mais frequente na artéria comunicante anterior. A embolização exclusiva com coils foi a principal técnica empregada, refletindo sua ampla utilização na prática clínica.



