Arquivos Catarinenses de Medicina
Casos Confirmados de Tuberculose Pulmonar em Crianças e Adolescentes em Santa Catarina no Período de 2015 a 2024: Análise Epidemiológica
By TAYNÁ AYARA DUTRA and Maiara Leal da Trindade.
Abstract
Introdução e objetivo: A tuberculose permanece como um importante problema de saúde pública entre crianças e adolescentes, grupo vulnerável ao desenvolvimento de formas graves da doença. Apesar dos avanços no seu controle no Brasil, ainda existem lacunas sobre o perfil epidemiológico dessa doença na faixa etária infanto juvenil, especialmente quanto às desigualdades etárias e regionais. Em Santa Catarina, são escassos os estudos que analisam a tuberculose pulmonar nesse grupo populacional. Diante dessa lacuna, o presente estudo teve como objetivo descrever o perfil epidemiológico dos casos notificados de tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em Santa Catarina, no período de 2015 a 2024, com ênfase nas desigualdades etárias e regionais.Método: Trabalho retrospectivo e transversal, de caráter observacional e descritivo, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram incluídos os casos notificados de tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos residentes em Santa Catarina, entre 2015 e 2024. As variáveis analisadas foram: ano do diagnóstico, faixa etária, sexo, macrorregião de saúde, tratamento diretamente observado, situação de encerramento e raça/cor. A análise foi realizada por meio de estatística descritiva.Resultados: No período de 2015 a 2024, foram notificados 1.445 casos de tuberculose pulmonar em crianças e adolescentes de 0 a 19 anos em Santa Catarina. Observou-se redução em 2020 (108 casos), seguida de aumento progressivo, com os maiores valores em 2023 (180 casos) e 2024 (174 casos). A distribuição dos casos revelou forte desigualdade etária, com 71,2% dos casos concentrados na faixa etária de 15 a 19 anos. Predominou o sexo masculino (56,7%), especialmente entre adolescentes. A população branca foi a mais afetada (71,8%), seguida pela parda (15,1%) e preta (8,4%). As macrorregiões da Grande Florianópolis (389 casos) e da Foz do Rio Itajaí (283 casos) concentraram o maior número de casos, enquanto Serra Catarinense (29) e Meio Oeste (48) apresentaram os menores quantitativos. Apenas 26,8% dos casos realizaram tratamento diretamente observado (TDO), com taxa de abandono de 14,6%, mais elevada entre os adolescentes de 15 a 19 anos.Conclusão: Os achados evidenciam expressivas desigualdades etárias e regionais na tuberculose pulmonar entre crianças e adolescentes em Santa Catarina, com maior concentração de casos entre adolescentes de 15 a 19 anos e menor adesão ao tratamento diretamente observado nesse grupo. Esse perfil epidemiológico reforça a importância dos dados em saúde para uma comunicação médica assertiva, capaz de reconhecer perfis de risco e subsidiar estratégias de detecção precoce, prevenção e controle da tuberculose nas comunidades, especialmente nas macrorregiões de maior carga da doença, como Grande Florianópolis e Foz do Rio Itajaí.



