Arquivos Catarinenses de Medicina
Associação estado nutricional materno durante a gestação e o desenvolvimento de distúrbios metabólicos na prole: Revisão integrativa
By Paula Beatriz Reinehr de Freitas, Natan Gabriel Souza Costa Oliveira and Leilane Marcos.
Abstract
Introdução: O estado nutricional materno constitui importante determinante da programação metabólica fetal. Enquanto uma gestante com estado nutricional adequado proporciona ambiente estável ao desenvolvimento fetal e pós-natal saudável, desequilíbrios nutricionais, da desnutrição à obesidade e ao ganho de peso excessivo, podem induzir comprometimento metabólico do feto.Objetivo: Analisar a associação entre o estado nutricional materno na gestação e o desenvolvimento de distúrbios metabólicos na prole.Método: Revisão integrativa, com busca nas bases de dados PubMed, BVS e Scielo, com os descritores “nutrição pré-natal”, “recém-nascido”, “desenvolvimento fetal”, “nutrição infantil” e “síndrome metabólica” e operadores booleanos AND e OR. Foram considerados os estudos de acesso aberto, publicados em português, inglês e espanhol entre 2020 a 2026. Utilizou-se o protocolo PRISMA para seleção dos artigos.Resultados: Foram encontrados 69.688; após aplicação dos critérios de inclusão e análise de títulos e resumo, 17 artigos foram selecionados para leitura na íntegra, dos quais 9 foram incluídos. O objetivo mais frequente foi investigar a influência da obesidade gestacional na saúde cardiometabólica da prole, com desfechos avaliados do período neonatal à adolescência. No período neonatal, filhos de mães com sobrepeso e obesidade apresentaram alterações precoces nos perfis adipogênicos e bioenergéticos das células-tronco mesenquimais do cordão umbilical, sugerindo que a programação metabólica pode ocorrer ainda no ambiente intrauterino. Aos 6 meses, não houve associação significativa entre sobrepeso materno e o maior peso da prole, embora com maior probabilidade de menor comprimento. Na segunda infância, a adiposidade da prole associou-se ao ganho de peso gestacional excessivo. Aos 5 anos, filhos de mães com hiperglicemia gestacional apresentaram rebote de adiposidade mais precoce. Aos 6 anos, filhos de mães com maior índice nutricional apresentaram maior gordura corporal entre os meninos e menor gordura corporal entre as meninas. A resistência à leptina, aos 4 e 10 anos, e marcadores inflamatórios, dos 7 aos 13 anos, não se associaram ao estado nutricional materno, indicando que esses desfechos podem sofrer influência de outros determinantes além da nutrição materna. Aos 18 anos, observou-se maior prevalência de intolerância à glicose na prole de mães com diabetes gestacional, sem significância estatística, o que demanda cautela na interpretação.Considerações finais: os estudos apontam que o estado nutricional materno durante a gestação pode influenciar o desenvolvimento metabólico e antropométrico da prole em diferentes fases da vida. Os resultados indicam a importância do acompanhamento nutricional pré-natal como estratégia de prevenção primária de distúrbios metabólicos na prole, com ênfase no controle do ganho de peso gestacional, no manejo da hiperglicemia e na promoção de uma alimentação materna de qualidade durante a gestação.



