Arquivos Catarinenses de Medicina
Inteligência Artificial na cirurgia: aplicações, avanços, benefícios e limitações
By Marco Antônio Mezzari Machado, Maria Clara Guidi da Silva, Maria Luiza Batista Lapolli and 6 others.
Abstract
Introdução e objetivo: A Inteligência Artificial (IA) é uma das grandes mudanças tecnológicas incorporadas à prática cirúrgica atualmente. Assim, dentre seus tipos estão: técnicas como aprendizado de máquina (machine learning), aprendizado profundo (deep learning) e visão computacional1,2. Desse modo, a IA tem sido aplicada em diferentes etapas dos procedimentos cirúrgicos, incluindo o planejamento pré-operatório, suporte às decisões intraoperatórias e monitorização pós-operatória3,4. No entanto, ainda existem desafios que limitam sua implementação consolidada na prática cirúrgica 5. Este trabalho tem como objetivo revisar as principais aplicações da Inteligência Artificial na cirurgia, destacando seus avanços, benefícios e limitações atuais.Métodos: Trata-se de uma revisão narrativa de atualização, realizada por meio de busca não sistemática na base PubMed e em publicações científicas relevantes sobre Inteligência Artificial aplicada à cirurgia.Resultados: A IA pode ser utilizada em várias especialidades cirúrgicas, sendo aplicada tanto no planejamento pré-operatório quanto no acompanhamento pós-operatório. Em relação ao uso pré-operatório, os algoritmos permitem estimar riscos de complicações, probabilidade de sucesso do procedimento, mortalidade e tempo de internação, favorecendo um tratamento mais individualizado. Durante o período operatório, sistemas baseados em visão computacional possibilitam melhor reconhecimento da anatomia e das etapas cirúrgicas, auxiliando na tomada de decisões em tempo real, principalmente em procedimentos minimamente invasivos e robóticos. No pós-operatório, modelos preditivos de IA podem levar à detecção antecipada de complicações, reinternações e eventos adversos. Entretanto, ainda existem limitações importantes para sua implantação definitiva, como necessidade de validação multicêntrica, baixa interpretabilidade de alguns modelos (black box), exigência de bases de dados de alta qualidade, questões éticas relacionadas à privacidade dos dados e ausência de regulamentação para utilização clínica.Conclusão: A Inteligência Artificial tem potencial para melhorar a prática cirúrgica ao garantir maior precisão diagnóstica, auxiliar no planejamento operatório e prover suporte à tomada de decisão perioperatória. Por outro lado, sua incorporação definitiva depende da validação clínica dos algoritmos, do desenvolvimento de normas regulatórias e da resolução dos impasses éticos e legais. Dessa forma, a IA deve ser compreendida como uma ferramenta que complementa a experiência do cirurgião, contribuindo para uma cirurgia mais segura, individualizada e baseada em evidências.



