Fisioterapia Brasil
Microcefalia na infância: repercussões clínicas e no desenvolvimento infantil: uma revisão integrativa
By Thiely Lima Machado, Anna Clara Silveira Sales e Silva, Maria Cicilia Pinto Lopes and 1 others.
Abstract
Introdução: A microcefalia caracteriza-se pela redução do perímetro cefálico e pode estar associada a diferentes condições etiológicas, incluindo infecções congênitas, alterações genéticas e outros fatores que podem repercutir sobre o desenvolvimento infantil. Suas manifestações podem envolver aspectos neurológicos, motores e funcionais, tornando necessário o acompanhamento longitudinal e multiprofissional. Nesse contexto, a fisioterapia pode contribuir para a estimulação precoce e para o acompanhamento das habilidades motoras e funcionais dessas crianças. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as repercussões da microcefalia no desenvolvimento infantil, com ênfase nas manifestações clínicas e nas alterações do desenvolvimento neuropsicomotor descritas na literatura. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa, conduzida segundo as etapas propostas por Whittemore e Knafl e Mendes, Silveira e Galvão. Foram realizadas buscas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores relacionados à microcefalia, desenvolvimento infantil, estimulação precoce e fisioterapia, combinados por operadores booleanos AND e OR. Foram considerados estudos relacionados a crianças com microcefalia, independentemente da etiologia, publicados conforme os critérios de elegibilidade estabelecidos. A busca foi realizada em setembro de 2026. A síntese dos achados foi organizada em três eixos: características clínicas e manifestações da microcefalia; repercussões sobre o desenvolvimento infantil; e estimulação precoce e contribuições da fisioterapia. Resultados: Foram incluídos três estudos, sendo um estudo transversal retrospectivo e duas revisões sistemáticas. Os achados evidenciaram diferentes aspectos da microcefalia na infância, abrangendo critérios diagnósticos, possíveis etiologias e manifestações associadas. Bertozzi et al. destacaram a importância da utilização de parâmetros antropométricos adequados para o diagnóstico da microcefalia e identificaram diferentes possíveis etiologias entre os casos analisados. Quintans, Bueno e Cardoso demonstraram que diferentes agentes infecciosos podem estar relacionados à ocorrência de microcefalia associada a infecções congênitas, evidenciando que sua etiologia infecciosa não se restringe ao vírus Zika. Santos et al. identificaram repercussões neurofisiológicas relacionadas ao sono em crianças com microcefalia associada ao vírus Zika, incluindo alterações da atividade cerebral durante o sono e ocorrência de atividade epileptogênica. Dessa forma, as evidências diretamente sintetizadas concentraram-se predominantemente nos aspectos diagnósticos, etiológicos e neurofisiológicos da microcefalia. Conclusão: Os estudos incluídos demonstraram que a microcefalia apresenta heterogeneidade quanto aos critérios diagnósticos e às possíveis etiologias, além de estar associada a manifestações neurológicas e neurofisiológicas, particularmente alterações da atividade cerebral durante o sono em crianças com microcefalia associada ao vírus Zika. Considerando o escopo das evidências identificadas, não foi possível estabelecer conclusões específicas acerca das repercussões sobre o desenvolvimento neuropsicomotor nem sobre a efetividade ou as contribuições de intervenções fisioterapêuticas. As considerações relacionadas à estimulação precoce e à atuação da fisioterapia fundamentam-se em literatura complementar e devem ser compreendidas como contextualização teórica, e não como resultados derivados dos estudos que compuseram a amostra. Ressalta-se a necessidade de estudos primários e longitudinais que investiguem diretamente o desenvolvimento infantil e os efeitos de intervenções fisioterapêuticas em crianças com microcefalia.



