Boletim de Conjuntura
Lesões do plexo braquial traumático: Técnicas microcirúrgicas atuais
By Pedro Henrique Santos Silva.
Abstract
As lesões do plexo braquial de etiologia traumática representam uma das condições mais devastadoras da neurocirurgia periférica e da cirurgia da mão, acometendo predominantemente jovens do sexo masculino envolvidos em acidentes automobilísticos de alta energia, especialmente com motocicletas. O impacto dessas lesões estende-se para além do déficit motor e sensitivo imediato do membro superior, acarretando dor neuropática crônica refratária, incapacidade funcional permanente e severas repercussões psicossociais e econômicas na vida produtiva do indivíduo. Historicamente, as opções de tratamento eram limitadas e frequentemente resultavam em desfechos desanimadores, contudo, o desenvolvimento da bioengenharia, o aprimoramento dos instrumentais cirúrgicos e a evolução das táticas operatórias transformaram o prognóstico dessas patologias complexas nas últimas décadas. A transição dos conceitos clássicos de enxertia nervosa extensiva para o emprego estratégico de transferências de nervos sadios adjacentes, conhecidas como neurotizações, permitiu otimizar o tempo de reinervação e alcançar taxas de recuperação funcional antes consideradas impossíveis para músculos distais. O presente estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura científica brasileira a fim de analisar as técnicas microcirúrgicas atuais empregadas no reparo das lesões do plexo braquial traumático e sintetizar seus respectivos desfechos clínicos. Por meio da análise crítica dos dados compilados, observou-se que as neurotizações extraplexuais e intraplexuais, o uso de enxertos autólogos de nervo sural em falhas segmentares pós-ganglionares e as reconstruções musculares funcionais secundárias constituem os pilares da abordagem moderna na atualidade. Conclui-se que o manejo microcirúrgico dessas lesões exige uma indicação cirúrgica precoce, idealmente realizada nos primeiros seis meses pós-trauma, sendo o planejamento tático individualizado e preciso o fator determinante para maximizar a reinervação muscular, mitigar a atrofia funcional crônica e devolver a autonomia motora aos pacientes acometidos no cenário médico nacional.



