Zenodo
O papel do aleitamento materno na modulação do risco de câncer de mama: Evidências epidemiológicas, fisiológicas e imunológicas
By Talita Domingues Caldeirão, Beatriz Rosa Khenaifes, Elisa Ribeiro Pereira and 5 others.
Abstract
Introdução O aleitamento materno é amplamente reconhecido pelos benefícios proporcionados à criança, mas seus efeitos também se estendem à saúde da mulher. Além de participar da recuperação materna no período pós-parto, a lactação está associada a benefícios que podem permanecer ao longo da vida, entre eles a redução do risco de algumas neoplasias, especialmente o câncer de mama e de ovário. No caso do câncer de mama, essa relação desperta uma questão que vai além da recomendação de amamentar: por que o aleitamento materno exerce esse efeito protetor? Estudos epidemiológicos demonstram associação inversa entre o tempo acumulado de amamentação e o risco da doença, mas conhecer essa associação não basta para compreender como ela ocorre. Às explicações hormonais clássicas somaram-se evidências sobre diferenciação das células mamárias, involução da glândula após o desmame e, mais recentemente , mecanismos de imunovigilância tecidual . Revisitar essa relação permite compreender não apenas se o aleitamento protege, mas como e por que essa proteção pode ocorrer. Objetivo Analisar as evidências científicas sobre o efeito protetor do aleitamento materno na redução do risco de câncer de mama, buscando compreender os mecanismos biológicos envolvidos nessa associação e sua relação com a duração da amamentação. Método Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, apoiada em busca estruturada de publicações científicas sobre a relação entre aleitamento materno e câncer de mama. A investigação foi orientada pela necessidade de compreender não apenas se a amamentação está associada à redução do risco da doença, mas também como essa proteção pode ocorrer e de que maneira a duração da lactação se relaciona com esse efeito. A busca foi realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando descritores relacionados a aleitamento materno, lactação, câncer de mama, fatores de risco, paridade e mecanismos imunológicos. Foram identificados 1.825 registros; após aplicação dos critérios definidos, 315 permaneceram para as etapas subsequentes. Após remoção de duplicatas, triagem por títulos e resumos e avaliação da pertinência, 21 estudos compuseram a síntese. Os achados foram organizados em três eixos: duração do aleitamento e risco de câncer de mama; alterações hormonais e celulares; e imunidade e imunovigilância no tecido mamário . Resultados e Discussão Os estudos analisados sustentam associação inversa entre aleitamento materno e risco de câncer de mama e indicam que a duração da lactação é importante nessa relação. Na reanálise colaborativa de 47 estudos, envolvendo 50.302 mulheres com câncer de mama e 96.973 controles, estimou-se redução relativa de 4,3% no risco a cada 12 meses acumulados de amamentação, independentemente da redução associada ao número de partos. O achado sugere que o benefício se relaciona também ao tempo acumulado de lactação ao longo da vida reprodutiva. A proteção não parece ocorrer de maneira uniforme entre todos os tipos de câncer de mama. Meta-análises apontam associação particularmente relevante entre o aleitamento e a redução do risco de tumores com receptores hormonais negativos, incluindo o câncer de mama triplo-negativo, subtipo de maior complexidade clínica e com opções terapêuticas mais restritas que os tumores hormônio-dependentes. Compreender por que essa proteção ocorre exige olhar para as transformações da gestação, lactação e pós-desmame. Durante a amamentação, a sucção interfere no eixo hipotálamo-hipófise-ovári



