Zenodo
Incontinência urinária feminina: Percepção de normalidade e relação com a busca por fisioterapia pélvica
By Brenda Lima Fabril, Isabella Marques Marinheiro, Julia Ferreira da Silva and 4 others.
Abstract
INTRODUÇÃO O assoalho pélvico é constituído por músculos e estruturas fasciais responsáveis pela sustentação dos órgãos pélvicos, manutenção da continência urinária e fecal e participação na função sexual [1,2] . Alterações na força, resistência ou coordenação desses músculos podem desencadear diferentes manifestações clínicas, repercutindo negativamente na saúde geral e na qualidade de vida das mulheres [3] . As disfunções do assoalho pélvico (DAP) t ê m elevada frequência e exercem impacto negativo na qualidade de vida feminina. Entre as DAP, a incontinência urinária, definida como a perda involuntária de urina [4] , configura-se como uma das condições mais prevalentes. A incontinência urinária pode acometer mulheres em diferentes fases da vida, com maior ocorrência no período pós-parto, na pós-menopausa e em idades mais avançadas [5] . Apesar de sua elevada prevalência e dos impactos biopsicossociais associados, a incontinência urinária ainda é frequentemente compreendida como uma condição "normal", seja por sua associação com o envelhecimento, seja como consequência da gestação e do parto. Revisões sistemáticas que investigaram o conhecimento feminino acerca das DAP identificaram baixos níveis de informação sobre saúde pélvica [6] e limitado reconhecimento da fisioterapia pélvica como opção terapêutica para essas disfunções [7,8] . Estudos mais recentes também evidenciam lacunas relevantes em termos de conhecimento, atitudes e práticas relacionadas às DAP em mulheres no pós-parto e na pós-menopausa [9] . No que se refere ao manejo terapêutico, a fisioterapia do assoalho pélvico é amplamente recomendada como abordagem conservadora de primeira linha para a incontinência urinária feminina, havendo robusta evidência científica que sustenta a eficácia do treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) e de outras intervenções não cirúrgicas [10,11,12] . Entretanto, a busca por tratamento frequentemente é postergada ou negligenciada, especialmente quando a perda urinária é compreendida como um evento esperado ou inevitável do envelhecimento . Considerando que a forma como a mulher entende a incontinência urinária pode estar relacionada à decisão de procurar ajuda profissional, torna-se importante investigar como essa condição é percebida pelas próprias mulheres. Compreender os significados atribuídos à incontinência urinária , especialmente quando vista como parte natural do envelhecimento ou do pós-parto, ajuda a identificar barreiras que dificultam a busca por tratamento. Esse entendimento pode orientar ações educativas, preventivas e de promoção da saúde, facilitando o acesso à fisioterapia pélvica e ampliando as possibilidades de cuidado, com melhorias na qualidade de vida das mulheres. Neste sentido, o objetivo deste estudo foi identificar a proporção de mulheres que consideram a incontinência urinária uma condição normal e descrever o conhecimento e a realização de fisioterapia pélvica entre as participantes. MÉTODOS Este estudo caracteriza-se como transversal, de natureza observacional e descritiva, e foi desenvolvido na Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), bem como nas unidades da Estratégia de Saúde da Família (ESFs) do município de Assis-SP. O projeto foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da FEMA e aprovado (CAAE: 85084224.6.0000.8547). As participantes foram devidamente informadas acerca dos objetivos da investigação e dos instrumentos utilizados, sendo incluídas na pesquisa somente após a



