Zenodo
Eficácia e segurança dos stents farmacológicos na doença arterial periférica: Revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados
By Thiago Ferreira Dias Kanthack, Ana Júlia Tomazini Helbel, Freddy Antonio Brito Moscoso and 1 others.
Abstract
Introdução A doença arterial periférica (DAP), manifestação da aterosclerose sistêmica, associa-se a limitação funcional, eventos cardiovasculares e complicações do membro. Apesar dos avanços da revascularização endovascular, reestenose e perda de patência permanecem limitações relevantes . Os stents farmacológicos (drug-eluting stents, DES) foram desenvolvidos para reduzir a proliferação neointimal e aumentar a durabilidade da intervenção em relação aos stents metálicos simples (bare-metal stents, BMS) [1,2]. Ensaios randomizados demonstraram benefícios dos DES, porém sua magnitude e persistência variam conforme dispositivo, território arterial e tempo de seguimento [3-5]. Persistem ainda incertezas quanto ao impacto sobre amputação, mortalidade e trombose do stent. Este estudo avaliou a eficácia e a segurança dos DES versus BMS em adultos com DAP submetidos à revascularização endovascular e, secundariamente, comparou diferentes plataformas de DES. Métodos F oi realizada revisão sistemática com meta-análise de ensaios clínicos randomizados, conforme recomendações da Cochrane e PRISMA 2020. A busca foi conduzida em julho de 2026 nas bases PubMed, Cochrane Library e Web of Science, sem restrição temporal, complementada pela análise das referências dos estudos elegíveis. Foram incluídos adultos com DAP tratados com DES comparados a BMS ou outro DES; estudos observacionais e comparações com balão simples, balão farmacológico, cirurgia ou dispositivos não elegíveis foram excluídos. Publicações da mesma população randomizada foram agrupadas em famílias de RCTs para evitar dupla contagem. Os desfechos foram reestenose / perda de patência , TLR/CD-TLR, amputação maior , mortalidade por todas as causas e trombose do stent. Dois revisores realizaram independentemente a seleção dos estudos. O risco de viés foi avaliado pelo Cochrane RoB 2 e a c erteza da evidência pelo GRADE. Para desfechos dicotômicos, calcularam-se risk ratios (RR) com IC95% por modelo de efeitos aleatórios de DerSimonian –Laird, e a heterogeneidade foi avaliada pelo I². Aplicou-se correção de continuidade de 0,5 quando apenas um braço apresentou zero evento; estudos com zero eventos em ambos os grupos não contribuíram para o RR combinado. Estimativas de Kaplan–Meier não foram convertidas em contagens de eventos, e as comparações DES versus DES do IMPERIAL foram analisadas separadamente. Resultados Foram identificados 635 registros. Após seleção e avaliação de elegibilidade, 21 publicações correspondentes a 12 famílias independentes de RCTs foram incluídas. Os estudos abrangeram os territórios femoropoplíteo e infrapoplíteo e avaliaram DES contendo paclitaxel, sirolimus ou everolimus . As comparações de desfechos nos diferentes tempos estão apresentados na Tabela 1 . Os dados referentes à trombose do stent foram heterogêneos e insuficientes para síntese quantitativa . Desfecho Estudos RR (IC95%) I² Certeza GRADE Reestenose/perda de patência – 6 meses 5 0,35 (0,22–0,58) 0% Moderada Reestenose/perda de patência – 12 meses 3 0,66 (0,46–0,95) 50,4% Baixa Reestenose/perda de patência – 24 meses 2 1,12 (0,76–1,65) 0% Baixa TLR – 6 meses 2 0,35 (0,13–0,93) 31,5% Baixa TLR/CD-TLR – 12 meses 3 0,83 (0,57–1,22) 3,7% Moderada TLR – 24 meses 2 0,90 (0,44–1,84) 13,9% Baixa Amputação maior – 12 meses 3 0,62 (0,14–2,76) 0% Muito baixa Mortalidade – 12 meses 3 1,62 (0,87–3,02) 2,5% Baixa Mortalidade – 24 meses 3 0,74 (0,14–3,98) 68,4% Muito baixa Tabela 1. Principais resultados da meta-análise



