Zenodo
Efeitos dos anestésicos sobre o delirium e a função cognitiva em pacientes com transtornos psiquiátricos prévios - uma revisão integrativa
By Anna Claudia De Lima, Vitoria Ribeiro Paccini, Jaqueline Borges Correa de Almeida and 2 others.
Abstract
O delirium pós-operatório e a disfunção cognitiva pós-operatória (DCPO) fazem parte dos transtornos neurocognitivos perioperatórios , termo adotado em consenso internacional para reunir as alterações cognitivas identificadas antes ou depois de anestesia e cirurgia. Nessa classificação, o delirium é o evento agudo; o declínio cognitivo diagnosticado até 30 dias após o procedimento recebe o nome de recuperação neurocognitiva tardia e, até 12 meses, de transtorno neurocognitivo pós-operatório (EVERED et al., 2018). Esses quadros comprometem memória, atenção e funções executivas, prolongam a internação e aumentam a mortalidade, principalmente em idosos (ZHANG et al., 2024). Pacientes com transtorno psiquiátrico prévio formam um grupo de risco pouco estudado nesse contexto. Em coorte inglesa com 20.566 pessoas com doença mental grave (esquizofrenia, transtorno bipolar e outras psicoses), o risco ajustado de diagnóstico de delirium durante a internação foi 7,65 vezes maior abaixo dos 65 anos e 3,35 vezes maior a partir dessa idade, em comparação a pessoas sem esses diagnósticos (BAUERNFREUND et al., 2024). Em idosos submetidos a cirurgia não cardíaca na Tailândia, a história de doença psiquiátrica se manteve como fator independente para delirium pós-operatório, com risco relativo ajustado de 6,04 (PIPANMEKAPORN et al., 2020). A ansiedade pré-operatória também se associou a mais delirium após artroplastia total de quadril (25,3% contra 14,8%) (MA et al., 2021), embora uma meta-análise tenha considerado essa relação incerta, porque o resultado muda conforme a escala usada para medir a ansiedade (YANG et al., 2023). Além da vulnerabilidade própria da doença, esses pacientes costumam usar antipsicóticos, antidepressivos, estabilizadores de humor e benzodiazepínicos, que podem interagir com anestésicos e analgésicos, e o pós-operatório traz risco de recaída ou de piora dos sintomas (STAMENKOVIC et al., 2020). Na esquizofrenia, por exemplo, recomenda-se manter os antipsicóticos no perioperatório e preferir anestesia tópica ou regional nos pacientes que conseguem colaborar (KUMAR et al., 2021). Mesmo assim, a maior parte dos ensaios clínicos exclui pessoas com doença psiquiátrica, o que deixa o anestesiologista com pouca evidência direta para decidir nessa população (STAMENKOVIC et al., 2020). A escolha do fármaco e da técnica anestésica interfere no risco. A dexmedetomidina reduziu em pelo menos 43% a chance de disfunção cognitiva e comportamental pós-operatória em adultos operados sob anestesia geral para cirurgia não cardíaca (GOVÊIA et al., 2021), e outra meta-análise encontrou risco relativo de delirium de 0,53 com seu uso perioperatório (MING et al., 2020). Em UTI cirúrgica brasileira, o uso intraoperatório de sufentanil multiplicou por 5,7 a chance de delirium (MARQUES; ALVES; VERNAGLIA, 2024). Planos anestésicos mais superficiais, guiados pelo índice bispectral (BIS), associaram - se a menos delirium e menos DCPO aos três meses (LING; YANG; LEE, 2022). Quanto aos mecanismos , propofol e dexmedetomidina atenuam a neuroinflamação , enquanto anestésicos inalatórios como o sevoflurano intensificam o estresse oxidativo e a resposta inflamatória (WANG et al., 2025). A comparação entre anestesia regional e geral continua sem resposta definitiva. Em coorte nacional coreana com mais de 660 mil artroplastias de quadril e joelho, a anestesia regional se associou a 18% menos delirium (CHOI et al., 2024). Os dois maiores ensaios clínicos randomizados em



