Zenodo
Comunicação terapêutica às vésperas da morte: A preservação da dignidade humana
By Andressa Martins Roque de Lima and Prof.ª Dr.ª Márcia V. S. Carbone.
Abstract
Introdução A finitude da vida é certeza da condição humana , cabendo à enfermagem assegurar que o processo de morte ocorra com dignidade , ainda que a cultura contemporânea valorize muito mais o momento do nascimento do que o da morte , sendo a garantia da dignidade de quem cuida e de quem é cuidado um compromisso indissociável do cuidar , seja qual for a fase da vida pela qual a pessoa esteja passando . A comunicação terapêutica , uso consciente e intencional da linguagem pelo profissional de saúde para auxiliar o paciente a enfrentar estresse , sofrimento e morte , envolve escuta ativa , empatia , uso adequado do silêncio , validação dos sentimentos e clareza nas informações transmitidas (POTTER; PERRY, 2018), impactando diretamente a experiência emocional , relacional e existencial do paciente em terminalidade (SILVA, 2012; SOUZA et al., 2014). A dignidade , por sua vez , envolve o reconhecimento da pessoa como sujeito , e não apenas como portadora de uma doença , para além do aspecto fisiológico (MARTÍ-GARCÍA et al., 2020), tornando - se a experiência de morrer menos angustiante quando o paciente é ouvido , compreendido e incluído na tomada de decisões sobre o próprio cuidado (ENGEL et al., 2023). Nesse cenário assistencial , a enfermagem assume papel central por permanecer em contato direto e contínuo com o paciente , identificando mudanças emocionais , medos e necessidades de conforto (ALANAZI et al., 2024) e mediando diálogos entre paciente , família e equipe multiprofissional (BISHAW et al., 2024); entretanto , muitos profissionais ainda demonstram insegurança ao abordar a finitude, seja por falta de preparo teórico , seja pela ausência de protocolos institucionais que orientem a comunicação paliativa (SANTOS et al., 2017). Diante disso , parte -se da hipótese de que o uso adequado e intencional da comunicação terapêutica , fundamentada em empatia , escuta ativa e acolhimento , contribui de forma expressiva para a preservação da dignidade de pacientes às vésperas da morte . Objetivou -se, assim , analisar como a comunicação terapêutica contribui para essa preservação , identificando na literatura as principais estratégias comunicacionais utilizadas no fim de vida e analisando seus impactos sobre a dignidade e o bem-estar do paciente , por meio de revisão de literatura . Metodologia Trata -se de revisão de literatura , com abordagem qualitativa , de natureza descritiva e exploratória , realizada no âmbito do Programa de Iniciação Científica (PIC) da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA), sem instituições coparticipantes . As buscas foram realizadas nas bases SciELO , LILACS, MEDLINE e Google Acadêmico , utilizando os descritores " comunicação terapêutica ", " dignidade ", " fim de vida ", " cuidados paliativos " e " enfermagem ", combinados por meio do operador booleano AND. Foram incluídos artigos científicos , livros , diretrizes e documentos oficiais publicados em português e inglês entre 2010 e 2025, disponíveis na íntegra e que abordassem diretamente a comunicação com foco em pacientes em fim de vida e/ ou na preservação de sua dignidade ; foram excluídos materiais duplicados , estudos sem metodologia clara e relatos que não tratassem do processo comunicacional ou da dignidade nesse contexto . A leitura dos textos selecionados foi realizada de forma crítica , com extração padronizada de autor , ano , país , tipo de estudo , objetivo , principais achados e contribuições para a prática de enfermagem , seguindo o mé



