Revista Eletrônica Acervo Saúde
A reestruturação do transplante renal no Brasil
By Leonardo Amarante Pagotti, Lara Lis Bilard Meirelles Galvão, Ítalo Grizolia Junqueira de Sousa and 5 others.
Abstract
Objetivo: Analisar a evolução temporal e financeira dos transplantes renais no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo de 17 anos, comparando doador vivo e falecido, associando o volume cirúrgico à permanência hospitalar e avaliando o comportamento destas variáveis durante a pandemia da COVID-19. Métodos: Estudo de série temporal com dados de faturamento do SUS (2008-2024). Analisaram-se tendências temporais (Joinpoint Regression), repasses financeiros, mortalidade hospitalar e correlação entre volume cirúrgico e permanência (Spearman). Resultados: Houve declínio dos transplantes com doador vivo, com retrações nas macrorregiões de maior volume (APC: Nordeste -10,5%; Sudeste -6,3%), predominando o doador falecido. Esta modalidade apresentou maiores repasses e exigiu 3,3 dias adicionais de internação. Na pandemia, houve redução e posterior recuperação dos volumes, com aumento na mortalidade hospitalar pós-pandêmica no Sul (APC=+41,9%). Identificou-se correlação negativa (ρ=-0,625) entre volume cirúrgico e internação para doador falecido, sem associação estatística para doador vivo (ρ=-0,156). Conclusão: O doador falecido consolidou-se como predominante. Maior volume cirúrgico associou-se à menor permanência apenas nessa modalidade. Os achados subsidiam o planejamento regional da assistência transplantadora, devendo ser interpretados sob as limitações dos dados administrativos.



