Arquivos Catarinenses de Medicina
Desfechos Cirúrgicos em Glioblastoma de Lobo Frontal: Uma Revisão Sistemática
Par Bernardo de Quevedo Mondadori, Iago Nathan Simon Petry, Arthur Furlaneto Fernandes et 7 autres.
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Résumé
Introdução e objetivo: O glioblastoma (GBM) é o tumor cerebral primário maligno mais comum e agressivo em adultos, com prognóstico reservado apesar do tratamento multimodal. A extensão da ressecção é um dos principais fatores prognósticos modificáveis cirurgicamente, mas os desfechos específicos por localização tumoral permanecem pouco definidos, sobretudo no lobo frontal — região que abriga áreas eloquentes ligadas à função motora, à linguagem, ao comportamento e às funções executivas. Não há síntese sistemática dedicada a esse subgrupo anatômico. O objetivo é avaliar sistematicamente os desfechos cirúrgicos — sobrevida global e estado funcional — no GBM de lobo frontal.Método: Revisão sistemática, conduzida segundo as diretrizes PRISMA. Busca nas bases PubMed, Embase e Cochrane Library, desde a criação até janeiro de 2026. Foram elegíveis estudos observacionais (coortes retrospectivas e prospectivas e séries de casos) com desfechos cirúrgicos em adultos com GBM de lobo frontal histologicamente confirmado. A extração de dados e a avaliação do risco de viés (Escala de Newcastle-Ottawa) foram feitas por dois revisores independentes, com discordâncias resolvidas por consenso. Pela heterogeneidade substancial, a síntese foi qualitativa.Resultados: Sete estudos preencheram os critérios, totalizando 5.084 pacientes, com amostras de 23 a 4.602 participantes — um único estudo concentrou a maioria dos casos. Os estudos vieram de Estados Unidos, Alemanha, Japão, Indonésia, Turquia e coortes multinacionais. A proporção de mulheres variou de 30% a 41% (quatro dos sete estudos). A média de idade situou-se na sétima década (61 a 65 anos). O estado funcional pela escala de Karnofsky (KPS) foi relatado de forma inconsistente: um estudo descreveu melhora de KPS mediano de 75 para 80 no pós-operatório e outro incluiu apenas KPS maior ou igual a 70. A sobrevida global mediana variou de 8,0 a 23,3 meses, refletindo diferenças na extensão da ressecção, na terapia adjuvante e no relato do perfil molecular (por exemplo, metilação do MGMT).Conclusão: Os desfechos cirúrgicos no GBM de lobo frontal são heterogêneos, com sobrevida global mediana consistente com as faixas gerais do GBM. A variabilidade reflete diferenças de estratégia cirúrgica, tratamento adjuvante e relato inconsistente de marcadores moleculares como a metilação do promotor do MGMT. Os desfechos funcionais pela KPS foram pouco e inconsistentemente relatados, limitando conclusões sobre morbidade específica da localização. Os achados evidenciam uma lacuna: a necessidade de estudos prospectivos e padronizados com perfil molecular, métricas de extensão da ressecção e avaliações funcionais validadas.



