Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação
Agonistas do receptor de GLP-1 no período perioperatório: Riscos, manejo e desfechos cirúrgicos
Par Lucas Gabriel dos Santos Borges, Sofia Rosa Dobrianskyj, Guilherme Henrique Miranda Ferreira et 6 autres.
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Résumé
Os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) têm assumido crescente relevância no tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e da obesidade, despertando interesse quanto às suas implicações para a segurança de pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos. O presente estudo teve como objetivo analisar criticamente a literatura científica sobre os riscos perioperatórios associados ao uso desses medicamentos, as estratégias de manejo clínico e seus possíveis impactos nos desfechos cirúrgicos. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e SciELO. Foram considerados estudos clínicos, pesquisas observacionais, revisões sistemáticas, metanálises e diretrizes clínicas relacionados à utilização desses fármacos no contexto perioperatório. A literatura analisada evidencia que o retardo do esvaziamento gástrico e a possibilidade de conteúdo gástrico residual constituem preocupações relevantes para a segurança anestésica, devido ao potencial risco de regurgitação e aspiração pulmonar. Entretanto, as evidências disponíveis não demonstram de maneira consistente que esses mecanismos resultem em aumento das complicações respiratórias clinicamente significativas. Quanto ao manejo perioperatório, as recomendações enfatizam a avaliação individualizada do risco, considerando os sintomas gastrointestinais, a fase de escalonamento da dose, as características farmacológicas do medicamento e as condições clínicas do paciente. Conclui-se que a condução perioperatória dos usuários de agonistas do receptor de GLP-1 deve equilibrar a segurança anestésica e a manutenção do controle metabólico, priorizando decisões compartilhadas, adequação do jejum e estratégias preventivas individualizadas. A realização de estudos prospectivos é necessária para esclarecer os riscos associados às diferentes formulações e estabelecer estratégias de manejo mais consistentes e seguras.



