Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação
Treinamento resistido aplicado a cardiopatias: Evidências sobre eficácia, segurança e prescrição clínica
Von Sérgio Garcia Braga, Mariana Orlando Nechar, Ana Claudia Biagi und 7 weiteren.
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Abstract
As doenças cardiovasculares permanecem entre as principais causas de morbimortalidade global e demandam estratégias de reabilitação capazes de melhorar capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida. Nesse contexto, o treinamento resistido tem sido incorporado aos programas de reabilitação cardiovascular, especialmente em adultos clinicamente estáveis, mas sua prescrição ainda exige cautela quanto à dose, resposta hemodinâmica, cardiopatia de base e monitorização. Este estudo teve como objetivo sintetizar evidências recentes sobre a eficácia, a segurança e os parâmetros de prescrição do treinamento resistido em adultos com cardiopatias. Trata-se de uma revisão sistemática rápida, com síntese narrativa, estruturada segundo princípios do PRISMA 2020, PRISMA-S e SWiM. Foram consultadas bases públicas, incluindo PubMed/MEDLINE, PubMed Central, Cochrane Library, PEDro, SciELO e BVS/LILACS, além de diretrizes e documentos institucionais. A janela principal de evidência compreendeu publicações entre 14 de agosto de 2021 e 14 de agosto de 2026, com inclusão de documentos anteriores apenas quando fundamentais e vigentes. Foram elegíveis revisões sistemáticas, ensaios clínicos, estudos experimentais, observacionais e relatos de caso pertinentes à eficácia, segurança, hemodinâmica, implementação ou contexto pós-operatório. A síntese de intervenção e segurança reuniu 26 relatórios, correspondentes a 25 estudos, além de fontes contextuais. Os achados indicam que o treinamento resistido melhora força muscular, capacidade funcional e qualidade de vida em cardiopatas estáveis, especialmente em doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca estável e hipertensão controlada. Em programas combinados com exercício aeróbio, pode haver incremento modesto do VO2pico e da distância no teste de caminhada de seis minutos. A baixa frequência de eventos graves em estudos supervisionados sugere segurança em populações selecionadas, embora a evidência seja insuficiente para estimar eventos raros, mortalidade ou reinternação. Conclui-se que o treinamento resistido progressivo, submáximo e monitorado é componente relevante da reabilitação cardiovascular, desde que prescrito de forma individualizada, com atenção à estabilidade clínica, sintomas, pressão arterial, ritmo cardíaco, ferida operatória, dispositivos e farmacoterapia.



